segunda-feira, 22 de junho de 2015

"Tenebroso" de Ernesto Nazareth

"Tenebroso", tango brasileiro publicado em 1913, é uma das composições mais conhecidas de Ernesto Nazareth (1863 - 1934), compositor carioca, que muito bem soube expressar o Brasil das primeiras décadas do século XX em sua obra pianística composta por diversos tangos, valsas, maxixes, choros, entre outros gêneros musicais. "Ernesto Nazareth é a verdadeira encarnação da alma musical brasileira." disse Heitor Villa-Lobos.

Aqui deixo duas gravações de 1977 do tango brasileiro "Tenebroso": a interpretação do pianista Arthur Moreira Lima, e a interpretação do Quinteto Villa-Lobos.

Arthur Moreira Lima


Quinteto Villa-Lobos



quinta-feira, 18 de junho de 2015

As cores de Martiros Sarian


Martiros Sarian (1880 - 1972) foi um pintor de família armênia, nascido em  Nakhichevan-on-Donna, cidade russa fundada por armênios. Pouco conhecido no Brasil, Sarian é tido como o fundador da arte moderna armênia. Grande parte de suas obras retrata a terra de seus descendentes, e se utiliza de fortes oposições cromáticas que expressam a influência que teve das obra de Gauguin e Matisse. Sarian é um dos principais representates do fauvismo na Rússia do começo do século XX. Durante a fase do Realismo Socialista, alinhou-se a certas diretrizes iconográficas e estilísticas do período, porém, sua obra simbolizava uma identidade artística nacional armênia frente ao centralismo soviético.

O que mais aprecio nas obras de Sarian são as combinações e a disposição das cores, que tornam as formas reduzidas de suas pinturas, em figuras extremamente vivas e expressivas.

Aqui deixo duas obras de Sarian.

Montanhas, 1923
Armênia, 1923

Para quem quiser conferir mais obras de Martiros Sarian entre em http://www.wikiart.org/en/martiros-saryan#close 

terça-feira, 12 de maio de 2015

Concertos de Brandenburgo No. 1 e 2 - J. S. Bach

Em 1721 Johann Sebastian Bach (1685 - 1750) dedicou e apresentou ao margrave de Brandenburgo seus Concertos Brandeburgueses, coleção de seis peças compostas para conjuntos instrumentais. Acredita-se que o motivo de Bach te-los escrito foi mostrar-se mais presente nos círculos reais para então conseguir o título de compositor da corte, posição que só alcançou em 1736.

Esses concertos tornaram-se obras-primas do período barroco, mostrando grande inventividade nos arranjos orquestrais, valorizando instrumento por instrumento em combinações ousadas. Deixo aqui dois dos seis concertos, o nº 1 em Fá maior - único da coleção com quatro movimentos - e o nº. 2 em Fá maior que expõe um solista ágil central (trombeta), solistas secundários e os instrumentos de corda como base de sustentação.

CONCERTO DE BRANDENBURGO No. 1 EM FÁ MAIOR, BWV 1046

I. Allegro moderato


II. Adagio


III. Allegro


IV. Menuetto - Trio I - Menuetto da capo - Polacca - Menuetto da capo - Trio II - Menuetto da capo


CONCERTO DE BRANDENBURGO No. 2 EM FÁ MAIOR, BWV 1047

I. Allegro moderato          


II. Andante


III. Allegro assai


Philharmonia Slavonica
Regente: Rudolf Pribil

sábado, 14 de março de 2015

Trecho de "A Trégua" de Primo Levi

Nesta primeira postagem trago algo de Primo Levi (1919 - 87), um dos mais importantes memorialistas da Segunda Guerra Mundial. Judeu-piemontês, sobrevivente de Auschwitz, Levi hoje é lembrado principalmente por seus livros É isso um Homem? (1947) e A Trégua (1963), ambos obras autobiográficas e que se complementam: o primeiro trata da experiência do autor no campo de extermínio de Auschwitz, o segundo, da longa viagem de volta à sua pátria após o término da Guerra, descrevendo as mazelas de uma Europa semidestruída.
Apesar de seu trabalho memorialístico, Levi, que também era químico, escreveu obras de ficção: contos, novelas e poemas.

Aqui deixo um pequeno trecho do terceiro capítulo de A Trégua. Uma reflexão sobre um dos personagens que o autor conheceu em sua viagem de volta à casa.
E recomendo fortemente este livro para os interessados em Segunda Guerra ou para, antes de mais nada, os interessados em boa literatura, pois, tecendo as memórias do autor encontramos uma escrita expressiva e vigorosa, trabalhada com minúcia a fim de recriar todo o sentimento da dor e da esperança.

Tradução: Marco Lucchesi

    É sabido que ninguém nasce com um decálogo no corpo, e cada qual constrói o próprio das coisas presentes ou das coisas passadas, com base nas experiências próprias, ou assimiláveis às próprias; razão pela qual o universo moral de cada um, oportunamente interpretado, identifica-se com a soma das experiências anteriores, e representa, pois, uma forma resumida de sua biografia. A biografia do meu grego era linear: aquela de um homem forte e frio, solitário e racional, que se movera desde a infância por entre as malhas rígidas de uma sociedade mercantil. Era (ou fora) acessível também a outras instâncias: não se mostrava indiferente ao céu e ao mar de seu país, aos prazeres de sua casa e de sua família, aos encontros dialéticos; mas fora condicionado a rechaçar tudo isso às margens da sua jornada e da sua vida, para que não perturbasse aquilo que ele chamava "travail d'homme". A sua vida fora uma guerra, e considerava vil e cego quem refutasse esse seu universo de ferro. O Lager chegara para ambos: eu o percebera como um monstruoso transtorno, uma horrenda anomalia de minha história e da história das coisas conhecidas; ele o considerara uma triste afirmação de coisas notórias. "Guerra é sempre, o homem é lobo do homem: velha história. [...]

Primo Levi